Exposição Museu Raul da Bernarda

Exposição FANTASIA / DÉCOR: estilo, forma e cor na cerâmica artística de Alcobaça

Do Museu Raul da Bernarda parte agora para a IDF by Interdecoração. Uma exposição figurativa dedicada ao percurso histórico e estilístico da indústria cerâmica artística, produzida no último século em Alcobaça.

Evoca a resplandecente memória desta indústria que se impôs pelo seu legado económico e social de um segmento histórico e patrimonial essencial ao compósito sociocultural alcobacense. Um legado que integra, ainda hoje, o puzzle imaginário comum português a partir da construção popular, forjada a pulso, por empreendedores industriais e comerciais que, na afirmação do novo século (XX), compreenderam bem a “simplicidade do gosto” que decorava a singela casa portuguesa.

Fábricas como a Olaria de Alcobaça e a Raul da Bernarda, fundadoras de uma marca estilística local, diversificaram a sua produção, absorvendo tendências internacionais executas pelos mestres pintores ceramistas autodidatas até incorporarem, a partir de meados do século (XX), a participação de artistas eruditos que viriam a potenciar, mais tarde, um progressivo afastamento das linhas de inspiração romântica para uma nova produção de cariz moderno.

A cerâmica artística bucólica transforma-se assim, paulatinamente, na cerâmica decorativa contemporânea. Empresários, técnicos e criativos pertencentes aos quadros das fábricas de Alcobaça viriam a concretizar uma procura contínua e incessante de formas e artesanais com a consciência de que estas não eram apenas simples ferramentas para a concretização de ideias, mas também elas próprias geradoras de novos pontos de partida e de descoberta.

Nos dias de hoje, a indústria da cerâmica artística de Alcobaça domina o setor a nível nacional, com um conjunto de fábricas que movimentam um volume de negócio com taxas de exportações acima dos 90% e cujas linhas de produção, associando o design contemporâneo e a qualidade da arte final, são uma marca distintiva de sucesso. Uma cerâmica que nunca deixou de associar a sua faceta imaginativa, mesmo quando assumindo os valores mais sofisticados do desenho industrial, intercalando ao longo da sua história, o vernacular com o conceptual, o popular com o erudito e a fantasia com o décor.

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